NegóciosNotícia Ensaio clínico fase 2

Merck KGaA anuncia compra da Silence por US$ 1,3 bilhão

Acordo inclui divesiran, terapia de interferência de RNA com resultados de fase 2 para policitemia vera; desenvolvimento ainda exige investimento em fase 3.

21 de outubro de 2026•3 min de leitura•Redação BioFronteira
Imagem via biopharmadive.com

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Por que importa

A compra coloca mais recursos por trás de uma terapia de RNA para uma doença rara do sangue e amplia a presença da Merck KGaA nessa tecnologia. O valor da operação mostra quanto a expectativa de resultados futuros pode pesar em aquisições, mesmo antes dos estudos confirmatórios.

A alemã Merck KGaA anunciou em 19 de outubro a compra da britânica Silence Therapeutics por US$ 1,3 bilhão, em uma aposta em medicamentos baseados em interferência de RNA. Conforme reportagem do BioPharma Dive, o acordo dá acesso a divesiran, candidato que apresentou resultados positivos de fase 2 em policitemia vera, uma doença rara marcada pela produção excessiva de glóbulos vermelhos.

A proposta prevê pagamento de US$ 20 em dinheiro por ação da Silence negociada nos Estados Unidos, com prêmio de 130%. Acionistas que representam 14% do poder de voto já concordaram com a operação. A Merck KGaA espera concluir a aquisição no primeiro trimestre de 2027; portanto, o anúncio não equivale ao fechamento do negócio.

Compra de uma aposta clínica, não de um produto aprovado

A transação amplia a estratégia de buscar ativos externos para áreas especializadas. O presidente-executivo da Merck KGaA, Kai Beckmann, apresentou a compra como parte desse direcionamento, com foco em necessidades médicas ainda não atendidas.

Há uma diferença importante em relação à aquisição da SpringWorks Therapeutics, realizada no ano anterior. Naquele negócio, a companhia incorporou medicamentos já aprovados para duas doenças tumorais raras. Com a Silence, assume um candidato que ainda precisa avançar no desenvolvimento clínico.

A próxima etapa exige investimento em um programa de fase 3. A Silence tinha US$ 72 milhões em caixa e equivalentes em 30 de junho, enquanto a compradora dispõe de mais recursos para conduzir esse trabalho. A mudança de controle altera a capacidade de financiamento, mas não elimina a incerteza sobre o resultado dos próximos estudos.

O prêmio oferecido também coloca a transação no debate sobre aquisições e preços de ativos no setor biofarmacêutico. Neste caso, o valor está ligado à expectativa de desempenho futuro de uma terapia ainda em investigação.

Como divesiran atua

Na policitemia vera, uma alteração genética estimula a medula óssea a produzir glóbulos vermelhos em excesso, aumentando o risco de coágulos perigosos. O tratamento frequentemente envolve retiradas de sangue para controlar esse excesso. Quando essa abordagem não basta, podem ser utilizados medicamentos.

Divesiran atua silenciando o gene TMPRSS6. Essa intervenção aumenta os níveis de hepcidina, hormônio que reduz a disponibilidade de ferro, elemento necessário à produção de glóbulos vermelhos. Trata-se de uma terapia de interferência de RNA: o objetivo é reduzir a atividade de um alvo genético específico.

No estudo de fase 2 descrito, participantes que receberam divesiran precisaram de menos retiradas de sangue do que aqueles tratados com placebo. Uma proporção maior também manteve os níveis de glóbulos vermelhos abaixo do limite que indicava a necessidade do procedimento. O material não informa o número de participantes, a duração do acompanhamento, a magnitude desses efeitos nem os resultados de segurança.

Concorrência depende de confirmação clínica

Se aprovado, divesiran poderá disputar mercado com Mimrylo, da Takeda Pharmaceutical e da Protagonist Therapeutics, além de tratamentos mais antigos, como Jakafi, da Incyte. Mimrylo também atua elevando a hepcidina. A Agios Pharmaceuticals desenvolve outro candidato direcionado ao TMPRSS6.

Analistas da Cantor Fitzgerald avaliaram os resultados de divesiran como competitivos e sugeriram que seu estudo de fase 3 poderia exigir menos participantes do que os quase 300 incluídos no ensaio de Mimrylo. Essa é uma projeção de analistas, não um desenho de estudo confirmado.

Da mesma forma, expectativas de superioridade clínica ou de vendas elevadas permanecem avaliações de mercado. Os resultados apresentados não constituem uma comparação direta entre os medicamentos, e a aquisição não transforma a evidência de fase 2 em demonstração definitiva de benefício.

Limitações e incertezas

Divesiran tem resultados de fase 2 e ainda depende de desenvolvimento clínico adicional. Não foram informados tamanho da amostra, duração do acompanhamento, magnitude dos efeitos ou resultados de segurança. As avaliações de vantagem sobre concorrentes vêm de analistas e não representam comparação clínica direta.

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Conteúdo informativo, produzido com apoio de inteligência artificial a partir das fontes citadas. Não substitui orientação médica.

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