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Biopharma espera mais aquisições, mas vê risco em preços

Levantamento da Lazard com 400 executivos e investidores aponta otimismo com financiamento, enquanto regras dos EUA e concorrência chinesa pesam nas estratégias.

21 de outubro de 2026•3 min de leitura•Redação BioFronteira
Ilustração: BioFronteira / IA
Por que importa

As prioridades de executivos e investidores ajudam a entender onde o setor pretende direcionar capital, parcerias e desenvolvimento de medicamentos. O levantamento também mostra como políticas de preços nos EUA e a crescente participação chinesa podem influenciar estratégias comerciais em outros mercados.

Executivos e investidores de biopharma esperam mais aquisições e acordos de licenciamento, mas identificam obstáculos na distância entre os preços pedidos e oferecidos pelas empresas e nas incertezas regulatórias. O retrato vem de um levantamento da Lazard, publicado em 15 de setembro de 2026, que reuniu 400 participantes entre junho e julho: 359 executivos de alta liderança e 41 investidores.

A consulta abrange grandes farmacêuticas, empresas menores de capital aberto e fechado e firmas de investimento. Trata-se de uma pesquisa de percepção empresarial, não de evidência clínica. Suas respostas ajudam a identificar prioridades de capital e desenvolvimento, mas não demonstram que as transações ou mudanças de mercado previstas ocorrerão.

Otimismo com capital, cautela nas negociações

Pela primeira vez em vários anos, a avaliação de que as ações de biotecnologia estão precificadas adequadamente foi a mais frequente entre os participantes. Isso não equivale necessariamente a uma maioria absoluta. Também cresceu o otimismo de que os mercados público e privado sustentarão o financiamento do setor.

As expectativas favorecem aquisições complementares — compras que acrescentam ativos ou capacidades a uma companhia — e alianças estratégicas ou licenciamentos. Já a consolidação entre grandes empresas tende, na visão dos respondentes, a permanecer em nível baixo. Há uma diferença relevante: quase 30% dos líderes de grandes farmacêuticas esperam aumento desse tipo de operação.

O entusiasmo encontra limites na negociação. Divergências de avaliação entre compradores e vendedores e a disputa pelos mesmos ativos aparecem como os principais entraves, seguidos por incertezas sobre preços, reembolso e atuação da FDA, a agência reguladora dos Estados Unidos.

A leitura conjunta sugere disposição para investir sem uma expectativa equivalente de grandes fusões. O apetite está mais concentrado em negócios que complementem portfólios, e não necessariamente em combinar companhias inteiras.

Política americana pode afetar lançamentos fora dos EUA

Para os próximos três anos, a consequência mais esperada da política americana de preços de medicamentos é uma retração dos lançamentos fora dos Estados Unidos. Os participantes também preveem que empresas de biotecnologia tenderão a preservar seus direitos comerciais globais, em vez de negociá-los com parceiros.

Não há consenso sobre a direção dos preços americanos. Líderes sediados nos EUA e representantes de grandes farmacêuticas tendem a prever quedas; participantes europeus e dirigentes de empresas de menor e médio valor de mercado tendem a esperar altas.

Na Europa, a maioria prevê aumento dos preços, e a resposta mais frequente aponta reajustes acima da inflação. A Lazard interpreta essa expectativa como reflexo de anos de pressão sobre preços e de regras de reembolso mais restritivas. É uma explicação proposta pelo relatório, não uma relação causal demonstrada.

Essas respostas indicam que decisões comerciais podem ultrapassar as fronteiras do país que altera sua política. O levantamento, porém, não quantifica quantos lançamentos seriam afetados nem apresenta uma projeção específica para o Brasil.

China e IA entram na disputa por inovação

Doenças autoimunes, inflamação e fibrose, ao lado de tumores sólidos, continuam no topo das prioridades terapêuticas. Entre as tecnologias, lideram os anticorpos de nova geração, incluindo abordagens biespecíficas e multiespecíficas, capazes de reconhecer mais de um alvo.

A China aparece simultaneamente como oportunidade e risco. Os participantes esperam uma contribuição crescente de candidatos a medicamentos chineses, associada não apenas a custo e velocidade, mas à expectativa de produtos pioneiros em suas classes ou superiores dentro delas. Também antecipam maior concorrência de empresas chinesas nos mercados ocidentais nos próximos cinco anos. São expectativas, não comprovações de superioridade terapêutica.

Na inteligência artificial, o maior impacto percebido hoje permanece na descoberta química. Para os próximos cinco anos, cresce a expectativa de deslocamento para descoberta biológica e desenvolvimento clínico. Aplicações como a busca de candidatos a peptídeos antimicrobianos com IA se conectam a essa agenda de descoberta.

Embora IA, aprendizado de máquina e análise de dados tenham perdido posição relativa entre as prioridades tecnológicas, isso não demonstra menor utilização. O levantamento registra uma hierarquia de expectativas; não mede produtividade, redução de custos ou sucesso clínico dessas ferramentas.

Limitações e incertezas

O levantamento registra opiniões e expectativas, não resultados de transações, mudanças efetivas de preços ou desempenho clínico. A apresentação não informa a metodologia de seleção dos participantes, a distribuição detalhada por região e porte empresarial nem o tamanho de cada subgrupo, o que limita a avaliação de representatividade e das diferenças entre grupos.

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Conteúdo informativo, produzido com apoio de inteligência artificial a partir das fontes citadas. Não substitui orientação médica.

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