DARPA destina US$ 73 milhões a componentes de sangue de longa duração
Programa busca produtos secos para transfusões em campo até 2029, mas as tecnologias têm estágios distintos de desenvolvimento e um histórico de desafios de segurança.
Programa busca produtos secos para transfusões em campo até 2029, mas as tecnologias têm estágios distintos de desenvolvimento e um histórico de desafios de segurança.
A conservação limitada do sangue dificulta o atendimento rápido tanto em conflitos quanto em emergências civis. Produtos de longa duração poderiam reduzir essa barreira logística, mas o benefício dependerá de segurança, eficácia e capacidade de produção, não apenas de maior prazo de armazenamento.
A DARPA, agência de pesquisa do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, prepara um programa de US$ 73 milhões para enfrentar um obstáculo das transfusões: fazer o sangue chegar a quem precisa antes que o produto — ou o tempo para socorrer o paciente — se esgote. Conforme reportagem da MIT Technology Review, a iniciativa pretende desenvolver versões de longa duração dos três principais componentes usados em transfusões: plasma, plaquetas e glóbulos vermelhos.
Chamado RAPIID, o programa tem início previsto para o fim de 2026 e mira o uso de bolsas com produtos secos em campo até 2029. Não se trata, porém, de um “sangue artificial” completo já disponível. As tecnologias envolvidas estão em diferentes estágios, de resultados em animais a produtos específicos autorizados para emergências.
O sangue total refrigerado dura 35 dias. Separar seus componentes ajuda a ampliar algumas possibilidades de conservação, mas não elimina a dificuldade logística. Plaquetas, que participam da formação de coágulos, costumam durar uma semana ou menos à temperatura ambiente. Glóbulos vermelhos e plasma podem ser congelados, mas, depois de descongelados, perdem a validade em poucos dias.
Em operações militares, isso cria um dilema: preparar estoques para um ataque imprevisível pode significar descartar produtos antes que sejam usados. Esperar pela emergência, por outro lado, exige transporte rápido em condições potencialmente perigosas.
A lacuna também aparece no atendimento civil. Um estudo publicado em 2025 na revista Transfusion, citado pela reportagem, identificou 1,2 milhão de pacientes com trauma nos Estados Unidos que potencialmente precisavam de sangue antes de chegar ao hospital. Apenas 1% recebeu transfusão nessa etapa. O dado dimensiona a distância entre necessidade potencial e atendimento, mas não demonstra, por si só, quanto um novo produto conseguiria reduzi-la.
O RAPIID sucede o FSHARP, outro projeto da DARPA, de US$ 47,5 milhões, cujas pesquisas apresentaram resultados considerados promissores em animais. Esse estágio pré-clínico ainda não estabelece segurança ou benefício em pessoas.
O plasma é a parte líquida do sangue e ajuda a repor volume e sustentar a coagulação. Sua liofilização — processo de secagem após congelamento — é conhecida desde o fim dos anos 1930. Nos Estados Unidos, o uso desse produto foi abandonado na década de 1960 pelo risco de transmissão de hepatite de doadores infectados.
Com melhorias na triagem, nos testes e na secagem, o desenvolvimento foi retomado. Nos dois anos anteriores à reportagem, a FDA, agência reguladora americana, permitiu o uso emergencial de dois tipos de plasma liofilizado pelos militares; um deles também pode ser utilizado em civis. Essas permissões específicas não equivalem à aprovação de todos os componentes pretendidos pelo novo programa.
Para as plaquetas, uma das abordagens é preservar o material humano, em vez de fabricar um substituto inteiramente sintético. A Cellphire desenvolve plaquetas humanas liofilizadas. A reportagem relata resultados de segurança e eficácia em ensaios clínicos, mas não informa fase, tamanho das amostras ou magnitude dos benefícios. A dependência de doações também deixa em aberto a capacidade de ampliar a produção.
Reproduzir a função dos glóbulos vermelhos traz outro desafio. A hemoglobina carrega oxigênio, mas, fora da membrana celular, pode se degradar rapidamente e provocar danos a órgãos. Também pode retirar da circulação o óxido nítrico, molécula que ajuda a manter os vasos dilatados, favorecendo sua contração.
Esse problema marcou tentativas anteriores. Em um ensaio com o HemAssist, transportador de oxigênio baseado em hemoglobina, morreram 24 dos 52 participantes que receberam o produto, ante oito dos 46 no grupo de controle. Os ensaios foram encerrados em 1998. O episódio mostra por que prolongar a conservação não basta: é necessário demonstrar segurança após a infusão.
Entre as propostas atuais apresentadas está o ErythroMer, produto de hemoglobina liofilizada acondicionado com água esterilizada em uma bolsa de duas câmaras, para reidratação antes do uso. O formato ilustra a ambição logística, não uma comprovação clínica.
O programa prevê testes paralelos dos componentes e coordenação regulatória com a FDA. A meta de 2029 depende, portanto, de demonstrar que produtos mais fáceis de transportar também funcionam com segurança — exigências diferentes de simplesmente fazê-los durar mais.
As tecnologias reunidas na iniciativa têm níveis distintos de maturidade, e os resultados em animais do programa anterior não comprovam benefício em humanos. Para as plaquetas da Cellphire, não foram informados fase dos ensaios, tamanho das amostras ou magnitude dos efeitos. A meta de uso em campo até 2029 é prospectiva; as permissões emergenciais para plasma não se estendem automaticamente aos demais produtos.
Conteúdo informativo, produzido com apoio de inteligência artificial a partir das fontes citadas. Não substitui orientação médica.
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