Rins de porcos produzem urina após preservação a −150 °C
Técnica combina vitrificação e reaquecimento com nanopartículas; testes ainda não demonstram funcionamento duradouro após transplante.
Técnica combina vitrificação e reaquecimento com nanopartículas; testes ainda não demonstram funcionamento duradouro após transplante.
Imagem via MIT Technology Review — BiotechPreservar órgãos por mais tempo poderia ampliar a janela para encontrar receptores e planejar transplantes. O teste em rins de porcos, de tamanho semelhante aos humanos, aborda um desafio de escala, mas ainda precisa demonstrar função duradoura.
Rins de porcos preservados a −150 °C voltaram a receber sangue e produzir urina depois de serem reaquecidos, segundo reportagem da MIT Technology Review. Os resultados foram observados em testes fora do corpo e após transplantes em outros porcos. A maioria dos órgãos avaliados havia ficado armazenada por dias ou semanas; o relato também menciona um rim mantido por pouco mais de um ano.
O resultado ainda não demonstra que esses órgãos possam sustentar a vida de um animal por longos períodos. Nos experimentos de transplante descritos, o acompanhamento durou apenas duas horas. A pesquisa, liderada por Erik Finger e John Bischof, da Universidade de Minnesota, foi divulgada como preprint no bioRxiv — uma versão que ainda não passou pela avaliação de outros especialistas.
A evidência é pré-clínica: os testes foram feitos com órgãos de animais, não com pacientes. Reproduzir o procedimento em rins humanos é uma expectativa dos pesquisadores, e não um resultado já obtido.
Apesar da referência ao congelamento, o processo utilizado é a vitrificação. Nele, o tecido chega a um estado semelhante ao vidro, evitando a formação de cristais de gelo que podem danificar sua estrutura. Segundo a reportagem, essa abordagem já é usada para armazenar óvulos, espermatozoides e embriões, mas aplicá-la a órgãos inteiros traz dificuldades adicionais.
Uma delas é distribuir substâncias crioprotetoras, que ajudam a impedir a formação de gelo, sem causar danos por sua toxicidade. Outra é resfriar e reaquecer todo o órgão de maneira uniforme.
A equipe já havia aplicado a estratégia a rins de ratos em um trabalho publicado em 2023. Naquele caso, os órgãos ficaram armazenados por até 100 dias antes de serem reaquecidos e transplantados. A passagem para porcos exigiu reformular a mistura de crioprotetores: enquanto um rim de rato pesa aproximadamente um grama, o de porco chega a cerca de 100 gramas e tem tamanho semelhante ao humano.
No novo procedimento, os rins recebem a mistura protetora ao longo de aproximadamente duas horas. Depois, são introduzidas nanopartículas de óxido de ferro, e o órgão é resfriado com vapor de nitrogênio.
Por volta de −120 °C, o rim alcança o estado vítreo. A equipe faz uma pausa para uniformizar esse estado antes de continuar até −150 °C. O controle importa porque diferenças dentro do órgão podem provocar rachaduras.
Na etapa de reaquecimento, um campo eletromagnético faz as nanopartículas liberarem calor pelo tecido. A potência do campo permite ajustar a velocidade desse processo. Antes da avaliação funcional, os pesquisadores lavam os órgãos para retirar as substâncias protetoras e as partículas.
Parte dos rins foi examinada em aparelhos de perfusão, que fornecem nutrientes e permitem avaliar órgãos fora do corpo. Outros foram transplantados em porcos. Houve recuperação da coloração e produção de urina, mas o volume urinário ficou em aproximadamente dois terços do esperado.
Armazenar órgãos por períodos prolongados poderia ampliar o tempo disponível para encontrar receptores e organizar transplantes. Essa possibilidade, porém, depende de demonstrar algo além da recuperação inicial: que o rim preservado mantém função suficiente e duradoura depois do procedimento.
O material fornecido não informa o número total de órgãos ou animais estudados, nem apresenta acompanhamento prolongado. O texto também termina durante a descrição do rim armazenado por mais de um ano, sem detalhar seu desfecho completo. Assim, os resultados sustentam uma demonstração inicial de recuperação funcional, mas não comprovam preservação indefinida nem prontidão para uso em humanos.
Estudo pré-clínico divulgado como preprint, sem revisão por pares. Os autores não informam o tamanho da amostra; o acompanhamento após o transplante foi de apenas duas horas, e a produção de urina ficou abaixo do esperado. Ainda não há demonstração de sustentação da vida em longo prazo nem testes em humanos.
Conteúdo informativo, produzido com apoio de inteligência artificial a partir das fontes citadas. Não substitui orientação médica.
Inscreva-se para receber as novidades do BioFronteira sobre biotecnologia, ciência e longevidade — com contexto e sem exageros.